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quarta-feira, 6 de março de 2019

Azoth é a substancia misteriosa da Alquimia, mais conhecida como Pedra Filosofal ou Elixir da Longa Vida. O uso desta palavra começou com Paracelso, para se referir ao "Remédio Universal", capaz de curar qualquer mal.  Nos dias atuais, essa substância pode estar ligada ao conceito mais científico que conseguimos chegar do que poderia ser a "Alma" dos seres humanos ou Deus. Confira.



O Azoto era a fórmula oculta de uma substância misteriosa que, juntamente com o Alkarest, foi considerada um remédio ou solvente universal, muito procurada pela Alquimia. Seu símbolo era o Caduceu (esotericamente associado ao equilíbrio moral, à iniciação e à ascensão da Kundalini) ou Emblema de Hermes (conhecido na mitologia romana como Mercúrio, o deus da venda, do lucro e do comércio). Por causa dessa referência ao deus romano, tornou-se uma palavra poética para o elemento Mercúrio (Hg), da Tabela Periódica. O nome é Latin Medieval, uma alteração da palavra "azoc" que é originalmente derivada do árabe al-zā'būq "mercúrio".


 Azoth é o agente essencial da transformação na Alquimia. É o nome dado pelos antigos alquimistas para o Mercúrio, o espírito que anima, escondido em toda a matéria, que faz a transmutação possível.

Nos ensinamentos da Cabala, a palavra Azoth também está relacionada com o "Ain Soph", ou a Substância Final, o Infinito, do hebraico: "Sem Limites". É aquilo a que podemos chamar de Deus, em seu aspecto mais elevado, Aquele que não possui um nome, não é do sexo masculino e não vive sobre as nuvens do céu, e não é um "Ser" limitado pela própria existência, bem diferente da ideia de Deus implantada pela sociedade. É o Princípio e o Fim, que permanece não manifestado. "Esse ardente Andrógeno é o Mercúrio Universal ou Azoth, o Espírito incomensurável da Vida, a poeira incompreensível e intangível da qual se formou o corpo espiritual do Homem.", explica Manly P. Hall (1901-1990), místico e autor canadense.


Em seu livro "Magia Transcendental", Eliphas Levi (1810-1875) escreveu: " O Azoth ou Medicina Universal é, para a Alma, a Suprema Razão e a Justiça Absoluta; para a Mente, é a Verdade Matemática e Prática; e para o Corpo é a quinta essência, a perfeita combinação de Ouro e Luz. No mundo superior ou Espiritual, é a Matéria da Grande Obra, a Fonte do entusiasmo e da atividade. No mundo intermediário, ou Mental, é a Inteligência e a Indústria. E no mundo inferior ou Material, é a energia do trabalho físico. Enxofre (Fogo), Mercúrio (Ar e Água) e Sal (Terra) compõe o Azoth dos Sábios."

Conhecido como Solvente Universal, Cura Universal ou "Elixir da Longa Vida", acredita-se que o Azoth encarna todos os medicamentos, bem como os primeiros princípios de todas as outras substâncias. Paracelso, um alquimista do século 16, é creditado por ter alcançado o Azoth, e em retratos dele carregando sua espada, a inscrição "Azoth" pode ser vista no Pomo.

Dizem que ele manteve o remédio infalível em um compartimento escondido no punho da espada, para o caso de ele precisar em uma emergência ou caso fosse ferido em uma batalha. Ele dizia que era o "antídoto de veneno" para qualquer ameaça física, mental ou espiritual.

Como Força Vital Universal, o Azoth não é apenas a energia que anima o corpo (espírito, alma), mas é também a inspiração e o entusiasmo que move a mente. No cosmos e no interior de cada um de nós, o Azoth é a força evolutiva misteriosa responsável pela unidade implacável em direção à perfeição física e espiritual. Assim, o conceito é análogo à natureza ou à mente de Deus.

O Azoth também é usado como significado de "Pedra Filosofal", pois ele contém as informações completas de todo o Universo. Uma das dicas para a preparação da Pedra Filosofal é "Fogo e Azoth são suficientes". Há dezenas de desenhos esotéricos que descrevem o Azoth e como ele é usado na Grande Obra da Alquimia. Exemplos incluem o Azoth dos filósofos Basílio Valentim e Dr. John Dee (Monas Hieroglyphica). Veja algumas imagens desses desenhos:

Basílio Valentim:
O termo Azoth foi considerado pelo ocultista Aleister Crowley como a representação de uma unidade de início e término, amarrando juntos a primeira e a última letras dos alfabetos da antiguidade. A ortografia é composta pelas letras iniciais e finais dos alfabetos em latim (A-Z), grego (A-O) e hebraico (A-T), simbolizando o princípio e o fim de tudo, a totalidade suprema e a universal síntese dos compostos como um "cancelamento" (Solvente) ou uma "coesão" (Medicamento), semelhante à filosofia do "Absoluto", que é o próprio Ser que transcende e compreende todos os outros seres, de Hegel. Crowley ainda faz referência ao Azoth em suas obras como "o Fluido", o unificador ou o agente de unificação do Ser.

perfeito equilíbrio entre dois opostos: veneno/antídoto, doença/cura, bem/mal, claro/escuro, masculino/feminino, etc. Para os Iniciados e os Espiritualistas, representa a eliminação da Dualidade (enxergar tudo sob dois opostos extremos) e da Separação (acharmos que estamos separados de Deus, da Natureza e dos Outros), conceitos tão enraizados em nós, desde o nosso nascimento e através do qual funciona o que chamamos de Sociedade.

Talvez sejam ideais ainda muito incompreensíveis para nós, pobres curiosos, mas com certeza é para onde estamos caminhando, inconscientemente, nesta Nova Era. Resta saber como usaremos esse poder. Existem espalhados pela internet vários rituais para o despertar do Azoth, bem como diversas práticas de meditação para sua expansão.

Um fato interessante é que em algumas línguas, especialmente eslava mas em algumas outras também (por exemplo, italiano, francês), azoth é o nome do nitrogênio (N) da tabela periódica, mas a etimologia é diferente (em italiano é "Azoto", que vem do grego ἀ + ζωή "nenhuma vida").


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